domingo, 17 de outubro de 2010

A magia das palavras V. L. S. G.

O silêncio imprimiu-se em mim.
Vago, profundo.
Imenso silêncio d'alma.

Mas, no vazio deste espaço, capto
Luz e sons.
Sinto (re) sinto a ausência da criação.
E na alma perpassam palavras-alma se debatendo, querendo ser... poesia.

Audíveis palavras se alastram
Repercutem expressões gigantes,
Ondas desejantes de verso.

Palavras (de)colores
Exclamam, bradam,
Pronunciam-se contra a calada alma,
Recolhida em(des)sossego.

Palavras querem ser cores,odores,
músicas, sabores.
Requerem versos.

É a magia das palavras.
Sinto-a nos elementos-ordem
Da criação profusa.
Pressinto-a vencer silenciosamente...

E aflora a palavra-vida
Em versos exultantes.
Finda-se o silêncio d'alma.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Peregrinação V.L. S. G.

Como um grande veu, a noite se estende sobre a face da terra. É exato o momento de peregrinar por distantes terras. Não a Terra. Sair da Terra. Querer o mar. E ser o mar. Ir, vago, em viagem, em direção interior. Apreciar a imensidão das águas. Multicolores. Negras. Fazer a opção de rotas. Mil tons que contagiam, impregnam. É do azul o mais intenso. Tons que se (re) colorem à breve passagem. Azul, azuis. A cor do som do mar do sonho. Azul.

O mar não dorme. No mar não há sonolência. Inquietudes constantes assemelham-se. O desassossego é uma profusão de pensamentos em ondas. Em una romaria, singrar por lugares santos. Santificar atos, fatos, pessoas, odores cores e sensações. Benditos momentos. Sã intenção ação de velejar longínquas instancias, paragens perenes em instantes de peregrinação.

Neste espaço tempo, (re)viver o sal. O mar não dorme. O mar não dorme...Vidas se multiplicam em seu interior. Lembranças se graduam no mar interno. Vidas se (re)fazem no azul sereno do navegante pensar. Turbilhão de ondas segue. Imensos rumores se aproximam desgovernados. São forças vulcânicas que se desdobram do mais íntimo das águas. Avançam, avançam tempestuosamente.

Agora é conter ou morrer no próprio mar, agora negro. Imenso mar de solidão só. Conter a triste impressão. Sublimar o triste tom. Deixar desabrochar o riso. O sorriso tímido aflora vivo, belo como a rosa azul, roseo riso azul.

E o mar límpido (re) torna. (Re)novo. Viagem paz. E nave esgueirar sobre as águas. Profundas. Profusas águas sal saudade. Voltar-se e ver sorridentes espectros a acenarem. Rochas. Portos. Névoas. Não. Não.

Deixar-se levar...E o fascínio da doce viagem seduz. Nela encontrar a luz da felicidade. É doce peregrinação.

sábado, 19 de junho de 2010

Saramago... mais que um Ídolo. v.l.s.g

Por que se vive e morre...
Porque se vive.
Porque se morre.
Naturalmente.
Misteriosamente.
Há seres que não deveriam depender da frágil condição de Ser Humano.
Deveriam, sim, transcender.
Ser apenas um Ser.
Transcendental.
Imbatível pela grácil condição.
Tivesse divino e decisório Poder.
Oh! Desejo insano! Risível.(In) Consciente.Verdadeiro.
Agraciaria seres com eterna condição de Ser.

Saramago.

No entanto, há Poesia, há Prosa.
Ambas inexauríveis.
Vidas Divina,
Olimpicamente contempladas.

Assim,
Ei-lo eterno, permanente em mim, em ti...
Em quem mais É...Ser...


Na ilha por vezes habitada


Na ilha por vezes habitada do que somos, há noites,
manhãs e madrugadas em que não precisamos de morrer.
Então sabemos tudo do que foi e será.
O mundo aparece explicado definitivamente e entra
em nós uma grande serenidade, e dizem-se as palavras que a significam.
Levantamos um punhado de terra e apertamo-la nas mãos.
Com doçura.
Aí se contém toda a verdade suportável: o contorno, a
vontade e os limites.
Podemos então dizer que somos livres, com a paz e o
sorriso de quem se reconhece e viajou à roda do
mundo infatigável, porque mordeu a alma até aos
ossos dela.
Libertemos devagar a terra onde acontecem milagres
como a água, a pedra e a raiz.
Cada um de nós é por enquanto a vida.
Isso nos baste.

(in PROVAVELMENTE ALEGRIA, Editorial CAMINHO, Lisboa, 1985, 3ª Edição)

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Fragmentos... v. l. s. g

Inquietude. Imperatriz. Pensamentos. Estado d'alma. Mente sã. Devaneios shakespirianos.É grande a sentença. Resumo de mim. Ser ou não ser. Risos. Lábios distorcidos. Risos. Nada preciso. Nada. Apenas decidir. Sim. Não. Ser ou não ser. Sei. Sabes. Minha alma se eleva. Rebelde. Decide. Ardor. Calor. Emoções sussurrantes sem palavras. Silenciosamente. Falam. Simplesmente. Sem recato nem vírgulas. Diretamente. Ponto final. Decisão. Ser. A noite intensa. Noite soturna. Invigora. Novo momento. Brilha luminosa e intensa a espera. Minutos. Horas. Dias. Não importa. Gestos seguros. Ser afetado. Toca o semblante festejado. Sonha. Sonho. Verdadeiro gesto. Afeição despudorada. Mãos fechadas em posse. Pérolas incomuns apreciando do secreto leito. Emoção penetra incandescente. Alma. Coração. Mente. Tudo transcende. É calor ainda sentido. É doce a vozlembrança. Motivo pleno. A existência se colore. Olhos, vida dentro fora d’agua. Explosão. Abraço mútuo. Indistância. Non sense. Sem laço. Gozo. Amanhã. Sempre. Almas errantes. Acertos. Amantes. Incessantes. Eterno instante.Vida.

sábado, 29 de maio de 2010

Naufragos do crepúsculo v.l.s.g

Vida,
largo a vida a chorar num lago
caudaloso
e denso
que esconde
morte
na noite
que soterra o naufrago da intensa vida fria.

Viva,
impero a vida pêndula entre céu e terra
na tormenta
abrasiva
gélida e
sombria
na sangria desaprisionada
da noite
que soterra o naufrago da intensa vida fria.

Vivo,
liberada e ácida
a marcar o gado
soletrar tristeza
romper maldade
querer o sangue
vivo
derreado
do sofrer saudade
na noite
que soterra o naufrago da intensa vida fria.

Vivo,
gritante silêncio
a estremecer ao vento
com ciência
do desejo insano
que consome
ânima
na noite
que soterra o naufrago da intensa vida fria.

Vida,
Lago largo
comportando o mundo
precipício “Fundo sem fundo”
arquitetura fúnebre
do sonho
no crepúsculo.
É tarde, escuro.
É noite.
É noite
que soterra o naufrago da intensa vida fria.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Alimentando Minh'alma...e a Tua....v.l.s.g

Ninguém é poeta ao acaso...É preciso alimentar a almaluz singela e crua. O alimento existe, está aí...Desde o mais remoto dos tempos... Está presente. Alimentemo-nos, então, Deles, doceamargas Almas que compuseram Vida em Versos perenes...ontem hoje e sempre...


No mundo da lua (Helena Kolody)

"Não ando na rua.
Ando no mundo da lua,
falando às estrelas."


"Gosto dos venenos mais lentos, das bebidas mais amargas, das drogas mais poderosas, das idéias mais insanas, dos pensamentos mais complexos, dos sentimentos mais fortes… tenho um apetite voraz e os delírios mais loucos.
Você pode até me empurrar de um penhasco que eu vou dizer:- E daí? Eu adoro voar! Não me dêem fórmulas certas, por que eu não espero acertar sempre. Não me mostrem o que esperam de mim, por que vou seguir meu coração. Não me façam ser quem não sou. Não me convidem a ser igual, por que sinceramente sou diferente. Não sei amar pela metade. Não sei viver de mentira. Não sei voar de pés no chão. Sou sempre eu mesma, mas com certeza não serei a mesma pra sempre." (Clarice Lispector)


Quem Sabe um Dia (Mário Quintana)

"Quem sabe um dia
Quem sabe um seremos
Quem sabe um viveremos
Quem sabe um morreremos!
Quem é que
Quem é macho
Quem é fêmea
Quem é humano, apenas!
Sabe amar
Sabe de mim e de si
Sabe de nós
Sabe ser um!
Um dia
Um mês
Um ano
Um(a) vida!
Sentir primeiro, pensar depois
Perdoar primeiro, julgar depois
Amar primeiro, educar depois
Esquecer primeiro, aprender depois
Libertar primeiro, ensinar depois
Alimentar primeiro, cantar depois
Possuir primeiro, contemplar depois
Agir primeiro, julgar depois
Navegar primeiro, aportar depois
Viver primeiro, morrer depois..."


Epitáfio (Vinicius Moraes)

"Aqui jaz o sol
Que criou a aurora
E deu a luz ao dia
E apascentou a tarde
O mágico pastor
De mãos luminosas
Que fecundou as rosas
E as despetalou.
Aqui jaz o sol
O andrógino meigo
E violento, que
Possui a forma
De todas as mulheres
E morreu no mar."


Soneto do Orfeu (Vinicius Moraes)

"São demais os perigos desta vida
Para quem tem paixão, principalmente
Quando uma lua surge de repente
E se deixa no céu, como esquecida.

E se ao luar que atua desvairado
Vem se unir uma música qualquer
Aí então é preciso ter cuidado
Porque deve andar perto uma mulher.

Deve andar perto uma mulher que é feita
De música, luar e sentimento
E que a vida não quer, de tão perfeita.

Uma mulher que é como a própria Lua:
Tão linda que só espalha sofrimento
Tão cheia de pudor que vive nua."


Serenata (Cecília Meireles"

"Permita que eu feche os meus olhos,
pois é muito longe e tão tarde!
Pensei que era apenas demora,
e cantando pus-me a esperar-te.

Permite que agora emudeça:
que me conforme em ser sozinha.
Há uma doce luz no silencio,
e a dor é de origem divina.

Permite que eu volte o meu rosto
para um céu maior que este mundo,
e aprenda a ser dócil no sonho
como as estrelas no seu rumo."

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Perenidade....v.l.s.g

Num instante
Ilustro em mim
Passado presente e futuro
Aciono memórias
Reformulo historias
Pontuo dados.

E alço ancora
Barco sou e
Vou singrando os mares dos meus pensamentos....
Neste fluxo
Articulando
Tempo e fatos
Eternizo em versos
Recortes de mim.

domingo, 9 de maio de 2010

A Força do meu Canto v.l.s.g

Faço versos como quem sabe a exata hora do fim.
E tudo que permeia a Vida
os permeia
de forma
saboreada
única
estampada
última.

Cada átimo de existência vívida
permanece
transmutado
cantado
inédito
impresso na beleza transformada
em lágrima
em riso.

Caudalosas palavras em profusão
vazam
meu paradoxal leito
arrastando-me
a perenal poesia.

E canto encantada no prazer de articular a expressão
aproximando
coração
razão
emoção.

Imprimindo vida sou música em versos
E melodia vou
em palavras
alçando vôos
coloridas
nebulosas
sangrentas
assentando pouso firme num eterno poema.

Assim canto sou
efígie alçada
síntese delirante
da suprema Vida
feroz
afeta
elevada
ferida
prosaica
etérea
fugaz
finda

E Vida estou
canto breve.
E Poesia,
canção eterna...

E, saboreando Vida,
eternizo força
Em meu canto, neste Poema.

sábado, 8 de maio de 2010

A Prosa...v.l.s.g

Prosa...A prosa é ampliação dos sonhos humanos... É ver historias brotando de sonhos que se consumam em mil deles como pedras preciosas, como puros diamantes que gardam cor e segredo inefáveis e compõem cada um deles razão e coração eternos. E o sonho cresceem prosa. Mas os sonhos, nem todos ascendem, ficam muitas vezes ao rez do chão e se perdem no labirinto da realidade.... E novos sonhos vem....Muitas vezes com a chuva...e tamborilam no telhado, deixando uma sonolenta canção no ar. E a noite vai,avançada. E não se ouve nada...apenas um sonho olha o telhado que não vê...E os pensamentos zanzam além do pequeno espaço. E questionam: “Onde estão as estrelas?” "Onde estão meus sonhos?" "Onde estão os homens" E nasce a Prosa...humana.

A poesia...v.l.s.g

A Poesia ...A poesia é viver o sonho o homem a vida e os sentimentos...