sábado, 19 de junho de 2010

Saramago... mais que um Ídolo. v.l.s.g

Por que se vive e morre...
Porque se vive.
Porque se morre.
Naturalmente.
Misteriosamente.
Há seres que não deveriam depender da frágil condição de Ser Humano.
Deveriam, sim, transcender.
Ser apenas um Ser.
Transcendental.
Imbatível pela grácil condição.
Tivesse divino e decisório Poder.
Oh! Desejo insano! Risível.(In) Consciente.Verdadeiro.
Agraciaria seres com eterna condição de Ser.

Saramago.

No entanto, há Poesia, há Prosa.
Ambas inexauríveis.
Vidas Divina,
Olimpicamente contempladas.

Assim,
Ei-lo eterno, permanente em mim, em ti...
Em quem mais É...Ser...


Na ilha por vezes habitada


Na ilha por vezes habitada do que somos, há noites,
manhãs e madrugadas em que não precisamos de morrer.
Então sabemos tudo do que foi e será.
O mundo aparece explicado definitivamente e entra
em nós uma grande serenidade, e dizem-se as palavras que a significam.
Levantamos um punhado de terra e apertamo-la nas mãos.
Com doçura.
Aí se contém toda a verdade suportável: o contorno, a
vontade e os limites.
Podemos então dizer que somos livres, com a paz e o
sorriso de quem se reconhece e viajou à roda do
mundo infatigável, porque mordeu a alma até aos
ossos dela.
Libertemos devagar a terra onde acontecem milagres
como a água, a pedra e a raiz.
Cada um de nós é por enquanto a vida.
Isso nos baste.

(in PROVAVELMENTE ALEGRIA, Editorial CAMINHO, Lisboa, 1985, 3ª Edição)

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