sábado, 29 de maio de 2010

Naufragos do crepúsculo v.l.s.g

Vida,
largo a vida a chorar num lago
caudaloso
e denso
que esconde
morte
na noite
que soterra o naufrago da intensa vida fria.

Viva,
impero a vida pêndula entre céu e terra
na tormenta
abrasiva
gélida e
sombria
na sangria desaprisionada
da noite
que soterra o naufrago da intensa vida fria.

Vivo,
liberada e ácida
a marcar o gado
soletrar tristeza
romper maldade
querer o sangue
vivo
derreado
do sofrer saudade
na noite
que soterra o naufrago da intensa vida fria.

Vivo,
gritante silêncio
a estremecer ao vento
com ciência
do desejo insano
que consome
ânima
na noite
que soterra o naufrago da intensa vida fria.

Vida,
Lago largo
comportando o mundo
precipício “Fundo sem fundo”
arquitetura fúnebre
do sonho
no crepúsculo.
É tarde, escuro.
É noite.
É noite
que soterra o naufrago da intensa vida fria.

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